FRUTOS PERMANENTES


Por Michele Dantas


                   Evangelizar não é uma tarefa fácil, possa ser que para os dias de hoje sim pois os meios de comunicação ajudam os jovens a disseminar de todas as maneiras sem serem discriminados ou receberem reprovações da parte inclusive dos amigos do colégio, faculdade ou trabalho. As pessoas sedentas da palavra de Deus, estão cada vez mais a vontade para discutirem sobre o amor de Cristo, seja via e-mail, sms, sites de relacionamentos, etc.
              Devemos falar de Jesus, nem que seja com o testemunho pessoal, Deus nos usa como instrumento sempre e em todo lugar, basta estarmos atentos. Quem pela carne ficaria feliz em permanecer numa fila imensa, ou ter que viajar exaustivamente de ônibus (32 horas de viajem) para outra cidade, só para apresentar um trabalho com duração de apenas 6 horas, ou aguentar desprezo, defamações por orientadores da faculdade? Isso é sem dúvida a mão de Deus estendida sobre a vida de muitos jovens. Devemos encontrar nisso uma escada para levar o testemunho, levar o amor de Deus, dizer ao mundo que Jesus é a vida, é o preenchimento do vazio na vida de um jovem aflito que acha que pode encontrar prazer naquilo que é engano.
     Ao conhecerem a verdade, ao terem experiências com o Deus vivo, os jovens sedentos não contam outra, aceitam a Jesus como único e suficiente salvador, não há nem tempo de conhecerem sequer a igreja, mas sentem segurança naquilo que é sagrado, a palavra de Deus. Chegam a dizer: "aqui estou seguro, essa é a receita que faltava para incrementar a minha vida" outros dizem: "Jesus é a nota musical que faltava na musica da minha vida", Jesus é a água para quem está sedento. A sede é tão grande que pessoas aceitam a Jesus como senhor e Salvador virtualmente, por e-mail, SMS, glória a Deus, alelúia por isso!!! Entretanto, não são constantes, abundantes, experientes em Cristo, geralmente não há quem o acompanhe dia a dia, nem quem o ajude a crescer na fé, mostrando as dificuldades que podem aparecer, deixando essa responsabilidade para igreja, o que pode tornar um processo lento e muitas vezes falho, uma vez que ela não está todos os momentos com o novo convertido. Devemos ficar atentos para nossas responsabilidades como crente, sermos solidários uns com os outros, dar atenção aqueles mais novos na fé, incentivando, ensinando, exortando com carinho pedindo direção à Deus. 
        Deus sabiamente nos compara como árvores que brotam, crescem e dão frutos, porém esse processo não pode ser possível se não tiver alguém regando. "Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento" (I Co 3:6). Em João capítulo 15, mostra Jesus como uma videira verdadeira e nós os ramos, os galhos, que estão ligados na videira principal, Jesus. Ele diz que aquele ramo que não der fruto lança-se fora, e aquela que dá fruto limpa para que dê mais frutos (v.2). Ele com carinho exorta os que o cerca e lá no versículo 16 ele diz: "Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda". João 15:16 
        Em todo capítulo 15 do evangelho segundo escreveu João, Jesus nos ensina a dar frutos, a tirar de nós galhos que atrapalham o crescimento dessa árvore e a geração de frutos permanentes, constantes, abundantes no Senhor Jesus. Irmãos, que possamos adotar crentes, regá-los com lágrimas, intercedendo por suas vidas, sentindo suas dores, pelas dificuldades enfrentadas todos os dias, muitas vezes estão na igreja louvando hinos da harpa, desentoado por não possuírem técnicas vocais tais que impressionem a "plateia", glória a Deus, pois Ele sim contempla e recebe o perfeito louvor, pois é de coração. Somente Deus sabe como chega um novo convertido na igreja, muitas vezes abalado, por confusões e perseguições dentro de sua própria casa.
         Que o Senhor Jesus nos transforme, retire de nós galhos que nos impeça de dar frutos permanentes, ou seja, frutos que geram frutos...






A paz do senhor!!!

Referência: www.biblionline.com.br
    

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Adorarte

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Fórum de Estudos Espirituais

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Você sabe o que é um Headhunter?


Por Auberan Varela


Ao pé da letra, a expressão de origem inglesa “headhunter” significa caçador de cabeças, uma figura de linguagem que nos permite entender bem do que se trata. Headhunter é um profissional que atua na busca de profissionais com perfis pré-estabelecidos por uma empresa que busca preencher um cargo de alto nível hierárquico. 

Os headhunters são contratados por uma empresa para procurar dentro do mercado de trabalho os melhores executivos e profissionais pré-definidos. Isto pode ocorrer de forma sigilosa ou não. Não existe uma formação ou uma maneira pré-estabelecida para se tornar um headhunter, visto que as habilidades necessárias para o desempenho desta função são provenientes de experiências próprias, capacidade de negociação e uma ampla rede social.


Assista aos vídeos abaixo e veja melhores informações sobre o que é um Headhunter.




Ter uma rede social ampla é a principal ferramenta que o headhunter utiliza para selecionar um candidato e ofertar uma vaga. A ampliação das redes sociais destas pessoas ocorre de forma natural, uma vez que os profissionais, sabendo da existência de um headhunter, procuram se aproximar e estabelecer vínculos que poderão lhe proporcionar um bom emprego futuramente. 

Por outro lado, é preciso ter bastante atenção com pessoas que se auto-intitulam headhunters. Em alguns casos, as promessas de ótimos cargos, onde o candidato tem que pagar diversas taxas e cursos, não passam de golpes. Nenhum headhunter cobra nenhum valor de pessoa física, apenas da própria empresa contratante de seus serviços. 

Os próprios headhunters acreditam que uma das coisas mais interessantes da profissão é que eles não vendem nada, apenas ofertam oportunidades excepcionais, fazendo com que seu trabalho seja bastante reconhecido. 


Fonte: 
http://www.brasilescola.com/curiosidades/headhunter.htm
Vídeos: http://www.youtube.com/

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Caminhos da adoração

Por Anderson Penha

Portanto, é fundamental que, como adoradores, conheçamos esses caminhos...- “Judá, teus irmãos te louvarão; a tua mão estará sobre a cerviz de teus inimigos; os filhos de teu pai se inclinarão a ti.” (Gênesis 49.8)

De acordo com esse texto, Judá significa louvor; daí a origem da expressão “judeus”. Pode-se dizer que “judeus” significa “aqueles que louvam”, ou “louvadores”. Deus elegeu um povo para viver e andar no meio deles. Acerca disso a palavra declara que “Deus habita no meio dos louvores de Israel.” (Salmo 22.3) 

No evangelho de João aprendemos que a salvação vem dos judeus (João 4.22). Jesus é descendente de Judá e, por isso, é chamado “Leão da Tribo de Judá”. Ele é a Salvação dos judeus (louvadores) e todos os gentios. Por isso o Senhor teve que travar uma guerra na cruz contra inimigos espirituais; porém os venceu plena e poderosamente. Em Sofonias 3.15 o Senhor declara anuladas as sentenças contra seu povo e a expulsão do inimigo. Hoje a igreja experimenta esta poderosa salvação que inclui a vitória sobre os inimigos (Lucas 1.74). 

Certamente o louvor é para Deus, mas sempre nos coloca numa situação de guerra contra o pecado e o diabo. Vivemos dias em que o Senhor está nos preparando e capacitando para aplicarmos a vitória conquistada por Cristo na cruz sobre o pecado, principados e potestades, porque somos Sua Igreja e nossa missão principal é adorar a Deus (Colossenses 2.14-15). Contudo, há um processo divino em andamento que, como igreja, precisamos conhecer. Os métodos de Deus não são conhecidos pela maioria dos cristãos. Os mesmos foram usados na vida de Jesus e, como resultado final, Cristo foi exaltado soberanamente e recebeu o título de Senhor. Diante dEle todo joelho se dobrará, nos céus, na terra e debaixo da terra (Filipenses 2.9-11) 

Os verdadeiros adoradores são conduzidos pelo Pai nos mesmos caminhos percorridos por Jesus. Portanto, é fundamental que, como adoradores, conheçamos esses caminhos: - O caminho da adoração é um caminho de esvaziamento (Filipenses 2.7) - O caminho da adoração é um caminho para servos (Filipenses 2.7) - O caminho da adoração é um caminho de humilhação (Filipenses 2.8) - O caminho da adoração é um caminho de obediência (I Samuel 15.22) - O caminho da adoração é um caminho de morte (Filipenses 2.8) - O caminho da adoração é um caminho de lágrimas (Hebreus 5.7) - O caminho da adoração é um caminho de dor (Hebreus 5.8) - O caminho da adoração é um caminho de quebrantamento (Salmo 51.17) - O caminho da adoração é um caminho de aperfeiçoamento (Hebreus 5.9) - O caminho da adoração é um caminho de exaltação divina (Filipenses 2.9)

Sem dúvida alguma, Deus nos escolheu para andarmos nesses caminhos. Ele nos escolheu para receber de nós o mais perfeito louvor, a mais pura adoração, a fim de que Ele seja glorificado (Isaías 43.7). Por mais difícil que isso seja, temos que fazer uma escolha diária como a que Jesus fez no Getsêmani. De fato, somos o grão de trigo que cai na terra, morre e dá muitos frutos para a glória de Deus (João 12.24).

“Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que Ele, em tempo oportuno, vos exalte.” (I Pedro 5.6) 

Deus os abençoe
Adhemar de Campos
http://www.adhemardecampos.com.br




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Você quer Deus?



Por Michele Dantas


Esse vídeo é uma curta pregação do pastor americano Paul Washer, que fala sobre o materialismo e a presença de Deus na vida das pessoas. Reflitam sobre essa palavra jovem...


... e deixe Jesus trabalhar e ocupar o 1º lugar na sua vida!

"Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu seu filho unigênito para todo aquele que nele crer não pereça mas tenha a vida eterna" Jo 3:16

A paz do Senhor!!!



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Jovem Bytes

Por Anderson Penha

A paz!! A coluna Dica da Semana traz uma novidade super interessante para você. Um seriado com diversos ensinamentos bíblicos voltados para o público jovem! Se chama "Jovem Bytes".

Cada episódio da série de DVD Jovem Bytes traz uma grande mensagem de uma forma que os jovens possam se relacionar com Deus. De qualidade e conteúdos excelentes o material visa dar às pessoas que trabalham com os jovens uma nova e poderosa ferramenta para exercer a fé dos adolescentes e jovens adultos.

De instrumento dinâmico sua real eficácia é reforçada nas mãos de alguém como um jovem líder, um pai, um professor de Escola Bíblica Dominical ou um pastor. Quando combinados com o manual, ele se torna um veículo fantástico para o discipulado. Jovem Bytes usa algumas medidas extremas para enfrentar as necessidades dos adolescentes neste rápido mundo de alta tecnologia em que vivemos "Os episódios incluem guias de estudo para facilitar as lições e discussões em grupo.



Confira um resumo de um dos epísódios!




Fica na paz, e faça um bom proveito!

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Martinho Lutero e a música - Entrevista

Por Eliasibe de Jesus

Interessante texto em homenagem à Reforma Protestante. O autor do texto simula uma entrevista com o grande reformador Martinho Lutero. Vale a pena ler!

Deus abençoe a todos.

"É uma aberração cantar os mesmos cânticos em todas as celebrações"



Repórter – Parece-me que o doutor toca alaúde...

Lutero – Toco alaúde há muitos anos. Aprendi sem professor, enquanto me recuperava de uns ferimentos. É um instrumento muito antigo. Surgiu na Mesopotâmia, lá pelo ano 2.000 a.C. Os levitas do templo de Jerusalém tocavam alaúde. Dizem que ele chegou à Europa durante as Cruzadas ou quando da conquista da Espanha pelos mouros. Tornou-se um instrumento musical muito popular hoje em dia. Existem dois ou três modelos diferentes. A caixa de ressonância tem formato de pêra. O meu tem seis pares de cordas. Com a mão direita eu dedilho e com a mão esquerda retenho as cordas.

Repórter – O doutor conhece música?

Lutero – Eu cresci cercado de música. Na infância cantava os hinos dos mineiros, pois meu pai trabalhava numa mina de carvão. Era um menino cantor na escola de Mansfeld, lá pelo ano de 1488. Continuei a cantar no coro da igreja quando fui estudar, primeiro em Magdeburgo e depois em Eisenach. Na Universidade de Erfurt, além de gramática, retórica, dialética, aritmética, geometria e astronomia, estudei música. Estas são as sete artes liberais. Quando fui para o Convento de Santo Agostinho, em 1505, com 22 anos, aprendi o canto gregoriano. Cantava a voz masculina mais aguda, o tenor.

Repórter – O que o doutor chama de canto gregoriano?

Lutero – É o canto litúrgico introduzido pelo papa Gregório I, aquele homem extraordinário que se dizia servus servorum Dei (servo dos servos de Deus) e que foi papa de 590 a 604. Herdeiro de uma grande fortuna e ex-prefeito de Roma, decidiu-se pela vida monástica aos 35 anos e transformou suas propriedades em monastérios. Foi eleito papa a contragosto aos 50 anos e assentou-se na cadeira de Pedro de 590 a 604, quando morreu.

Repórter – Dizem que o doutor é o “Ambrósio da Reforma”.

Lutero – Nunca ouvi falar isso. Todavia, talvez seja por causa de meu apego à música sacra. Ambrósio era bispo de Milão e nasceu 200 anos antes de Gregório. Ele compôs vários hinos, inclusive o famoso Te Deum, que cantamos até hoje. Foi ele quem batizou Agostinho no ano de 387.

Repórter – Também já li não sei onde que o doutor foi chamado de “O rouxinol de Wittenberg”.

Lutero – Foi Hans Sachs, de Nuremberg, que me deu esse honroso título. Se eu sou o rouxinol de Wittenberg, ele é o rouxinol de Nuremberg, quiçá de toda a Alemanha. Sachs, 11 anos mais novo do que eu, tem sido chamado de “o príncipe e patriarca dos mestres-cantores”. É um profícuo autor de hinos, poemas e peças.

Repórter – O cântico é importante no culto?

Lutero – De suma importância. Desde os tempos de Moisés (Êx 15.1,2; Dt 31.19) e de Davi (1 Cr 6.31). Basta ler o salmo 100: “Prestem culto ao Senhor com alegria; entrem na sua presença com cânticos alegres”. A longa reunião de Jesus com os discípulos no cenáculo, na véspera da morte do Senhor, só terminou com o cântico de um hino (Mt 26.30). Não existe culto sem cânticos.

Repórter – O doutor acabou de mencionar “cânticos alegres”.

Lutero – Você sabe qual é o meu cântico predileto? É o mais antigo hino sacro alemão, conhecido desde o século 13. Chama-se Christ ist erstanden (Cristo ressuscitou). Gosto dele porque, ao contrário dos demais hinos pascais medievais, não fica descrevendo os tormentos de Cristo, mas a centralidade de sua ressurreição. Em cima desse hino e de outro, o Victimae paschali laudes immolent Christiani (Os cristãos ofereçam hinos à vítima pascal), compus o Christ lag in Todesbanden (Cristo estava preso nas amarras da morte), no qual consegui infundir toda a alegria e júbilo que brotam da ressurreição. A primeira estrofe diz: “Cristo estava preso nas amarras da morte, / Entregue por nosso pecado. / Ele ressurgiu novamente / E nos trouxe a vida. / Regozijemo-nos por isso, / Louvemos e demos graças a Deus / E cantemos aleluia”.

Repórter – Canta-se muito aqui em Wittenberg?

Lutero – Em nossos cultos aos domingos e nos dias de semana, nas reuniões matinais e vespertinas, eu entremeio o cântico com as leituras do Antigo e do Novo Testamento, com as orações, com a confissão, com o sermão etc.

Repórter – Há alguma parte do culto a qual o doutor empresta maior relevância?

Lutero – Na minha opinião, em todo o culto, o elemento mais importante é a pregação e o ensino da Palavra de Deus.1 Para reforçar essa ênfase bíblica, transformei em hino os dez mandamentos da lei de Deus. Cantamo-lo pela primeira vez na Quaresma de 1525. O cântico tem 12 estrofes. Na sétima estrofe entoamos: “O matrimônio – escuta bem! / Será santíssimo, e também / A vida casta deve ser, / Disciplinando o viver”. Na décima, enfatizamos: “Proibido estás de cobiçar / Do próximo a mulher e o lar. / O bem que quer teu coração / Também farás a teu irmão”.

Repórter – A igreja canta em latim ou em alemão?

Lutero – Até então cantávamos só em latim. Hoje cantamos em latim e em alemão. Os hinos mais antigos geralmente entoamos em latim. Por exemplo: o Magnificat (o cântico de Maria), o Benedictus (o cântico de Zacarias), o Te Deum laudamus (Senhor, louvamos-te), o Sanctus (baseado no capítulo 6 de Isaías), o Agnus Dei (Cordeiro de Deus), o Quicumque vult salvus esse (Quem quiser salvar-se...) etc. Tenho traduzido alguns hinos latinos para o alemão. É o caso do De profundis (Das profundezas), do Ut timearis (Que sejas temido), Media vita in morte sumus (Em meio à vida, estamos envolvidos pela morte) etc. Não abro mão totalmente dos hinos em latim por amor à juventude, pois desejo que os jovens cresçam aprendendo o latim.

Repórter – Existem hinos em alemão em número suficiente?

Lutero – Essa é a nossa grande luta. O desafio é enorme. Não estou encontrando muita gente capaz de produzir novas letras e novas melodias. Precisamos evitar a rotina. É uma aberração cantar os mesmos cânticos em todas as celebrações.2 Os sapatos novos, quando ficam velhos e começam a apertar, não mais usamos; jogamos fora e compramos outros.3 É preciso que haja cantos em alemão suficientes para diferentes ocasiões, como Natal, Páscoa, Pentecostes, São Miguel, Purificação etc.

Repórter – O livro de Salmos insiste nisso: “Cantem ao Senhor um novo cântico, pois Ele fez coisas maravilhosas” (Sl 98.1).

Lutero – Para que os não-cristãos se tornem cristãos precisamos fazer muita coisa. A gente simples, a juventude deve ser treinada e educada diariamente na Palavra de Deus, para se habituar com as Escrituras, para saber manuseá-las, para ser versada e instruída nelas, para defender sua fé e, com o tempo, ensinar os outros e contribuir para o avanço do reino de Cristo. Por causa dessas pessoas é preciso ler, cantar, pregar e compor hinos.4

Repórter – Fui informado de que o doutor escreveu 137 hinos.

Lutero – Não é verdade. O pessoal sempre exagera. Compus apenas 36 cânticos. Assim mesmo só dez são inteiramente originais. Os exagerados tinham a intenção de me comparar com Davi, que deve ter escrito — quem sabe — 137 dos 150 salmos. Quase todas as minhas composições foram produzidas em 1524. A primeira foi em agosto de 1523, um mês depois do trágico acontecimento que serviu de inspiração. Trata-se do Ein hübsch Lied von den zwei Märtyrern Christi, zu Brüssel von den Sophisten zu Löwen verbrandt (Um belo hino dos dois mártires de Cristo, queimados em Bruxelas pelos sofistas de Lovaina). O hino tem dez estrofes e conta a morte de dois monges agostinianos do Convento da Antuérpia que abraçaram a Reforma. Eles foram lançados à fogueira na praça do mercado de Bruxelas no dia 1º de julho de 1523. Chamavam-se Henrique Voes e João von Eschen. Já na primeira estrofe entro diretamente no assunto: “Um canto novo vou entoar, / Que Deus nos dê sua graça; / Dos feitos dele vou cantar, / Que em sua glória o faça! / Bruxelas foi que o presenciou: / Por meio de dois moços / O seu poder ali mostrou, / Que com seus dons divinos / Dotou ricamente”.

Repórter – Foi o doutor que escreveu o hino fúnebre Nun lasset uns den Leib begraben (Sepultemos agora o corpo)?

Lutero – Esse hino leva o meu nome, embora não seja meu. O equívoco precisa ser corrigido, não porque eu o rejeite, uma vez que me agrada muito. O verdadeiro autor é João Weis.

Repórter – Alguém me disse que o doutor modificou a letra de um hino de duzentos anos atrás, ao traduzi-lo para o alemão.

Lutero – Deve ser aquele ao qual dei o título de Gott der Vater wohn uns bei (Deus, o Pai, seja conosco). De fato, onde estava Santa Maria ou Virgem Maria, eu coloquei o nome de Deus. Estava escrito: “Santa Maria, socorre-nos / Se tivermos que morrer. / Livra-nos de todos os pecados / E não nos deixes perecer.” Modifiquei para: “Deus e Pai, sejas conosco / E não nos deixes perecer! / Livra-nos de todos os pecados / E concede-nos uma morte bem-aventurada!”

Repórter – Também ouvi falar que o papa está mais irritado com seus hinos do que com as 95 teses que o doutor afixou à porte da igreja do Castelo em 1517.

Lutero – Deus permita que a nossa hinologia redunde em grande prejuízo ao papa romano, que não faz senão causar choro, pesar e sofrimento em todo mundo por meio de suas malditas, insuportáveis e execráveis leis. Amém.5

Repórter – Aquela ilustração dos sapatos velhos que o doutor citou há pouco, me deixou com a pulga atrás da orelha. O doutor jogou fora os hinos tradicionais?

Lutero – Claro que não. Não abominei o canto medieval nem a música latina. Como jogaria fora o meu mais querido hino de Natal, o Jesu nate in Bethlehem (Ó Jesus, nascido em Belém), o adorável Komm, Heiliger Geist, Herre Gott (Vem, Espírito Santo, Senhor Deus), o famoso Agnus Dei (Cordeiro de Deus) e o já citado Christ ist erstanden (Cristo ressuscitou)? Meu esforço é duplo: reter o que é bom e antigo e valorizar o que é novo. Às vezes há muita coisa podre e fria na música tradicional, e muita coisa carnal nas modernas canções de amor. Afinal, não queremos que o espírito dos fiéis morra de tédio na igreja.6 Precisamos de escolher o melhor e tomar cuidado com o excesso tanto da repetição como da variedade e quantidade de cânticos. Valorizo muito a música contemporânea. Sou fã do compositor Ludovico Senfl, cantor da capela palatina do imperador Maximiniano e principal mestre de canto polifônico alemão. Tenho dito que ele é um músico ornatum et donatum a Deo meo, isto é, ornado e agraciado pelo meu Deus.

Repórter – Já existe um hinário a serviço da igreja?

Lutero – A princípio distribuíamos os hinos em folhas avulsas. Seu uso, porém, cedo requereu a junção de todas as folhas. Daí surgiu o Pequeno Hinário Espiritual, em 1524, com 32 hinos alemães e cinco latinos. O hinário continha letra e música, para forçar o povo a aprender música. Creio que se Davi ressuscitasse dos mortos, ficaria admirado de quão longe chegaram as pessoas com a música.

Repórter – O seu notável Ein feste Burg ist unser Gott (Castelo forte é o nosso Deus) está no hinário de 1524?

Lutero – Não. Aparece na edição de 1528. Escrevi esse hino, cujo título em latim é Deus noster refugium et virtus, inspirado na convicção do salmista de que “Deus é o nosso refúgio e a nossa fortaleza, auxílio sempre presente na adversidade” (Sl 46.1). Em seu poema, o salmista declara: “Não temeremos ainda que a terra trema e os montes afundem no coração do mar”. E no meu cântico eu reafirmo: “Ainda que este mundo, repleto de demônios, ameace destruir-nos, não temeremos, pois Deus quer que a sua verdade triunfe por meio de nós”. A letra e a música desse hino têm tido uma boa aceitação.

Lutero e a música Revista Ultimato, Ed. 296

Notas

1.Martinho Lutero — Obras Selecionadas. vol. 7. p. 182 e 176.

2.Idem. p. 302.

3.Idem. p. 205.

4.Idem. p. 160 e 171.

5.Idem. p. 178.

6.Idem. p. 482.


Bibliografia

HORTA, Luiz Paulo (ed.). Dicionário de Música. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1985.
LESSA, Vicente Themudo. Lutero. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1960.
Martinho Lutero — Obras Selecionadas. v. 7. São Leopoldo/Porto Alegre: Sinodal/Concórdia, 2000.

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